Aproveitando o espaço e a oportunidade, venho por este meio, deixar aqui algumas considerações e porque não, fazer o balanço sobre a época que terminou. Numa primeira fase, menos descritiva sobre a época organizativa, outra mais extensa e pormenorizada, sobre a época desportiva.

Antes de mais, quero novamente agradecer todo o apoio recebido ao longo destes meses (que de tão intensamente vividos, deixam uma clara sensação que já se passaram anos…). Desde os diversos treinadores, directores e estrutura organizativa, mas sobretudo agradecer o extraordinário apoio e amizade, dos familiares e dos atletas por mim treinados!

A nível organizativo a escola teve três fases, na minha opinião.

O pré e pós Mundialito e a partir de Maio deste ano.

Desde Setembro de 2006, se teve o cuidado de tentar organizar a Escola de Formação da melhor maneira possível, atendendo sempre ás limitações, dificuldades e virtudes do próprio clube, mas com o objectivo de crescimento sustentado e equilibrado. Na minha opinião, penso que isso foi conseguido, com maior ou menor dificuldade, numa 1ª fase, outra se passou em que tal não foi possível, por diversos factores. O objectivo e os objectivos mantêm-se, pretendendo-se dar maior estabilidade e credibilidade á Escola de Formação.

A Escola tem como objectivo estrutural o de poder dar maior qualidade técnica, mas também fortalecer os laços entre as pessoas inerentes e directamente ligados á Escola. Mas sempre com atenção á fundamental importância dos familiares dos atletas, que até hoje, em muito ajudaram á realização de autênticos milagres!

 

Desportivamente falando, foi um ano, como disse muito intenso.

Tudo começou em Setembro de 2006. Eu vinha de um projecto de largos anos, no futsal, onde a nível desportivo, se atingiu resultados impensáveis para a dimensão do Amora FC e onde pessoalmente, acabei reconhecido por isso. Continuei por aqui, apesar de existirem projectos muito mais aliciantes, mas estava plenamente convicto que poderia fazer história por e pelo clube! A equipa ao longo de 5 épocas, alcançou um 3º lugar distrital, 2x 2º lugar e 2x campeões distritais. Apuramentos para os play-off nacionais, com a obtenção de 2x 5º lugar a nível Nacional, apenas sendo eliminados nessas 2 ocasiões, pelo consequente campeão Nacional. Mas socialmente falando, o projecto teve o seu fim, por comportamento incorrecto da própria equipa, tendo eu desistido da modalidade.

Pensei desistir do desporto, mas após insistência do Norberto Pires e do José Mendes,  iniciei este projecto nas Escolas de Formação. Este projecto estava á partida condenado, na minha opinião. Por algumas razões:

Tinha sido operado a 3 roturas de ligamentos no joelho direito, com rotura de menisco. No período pós-operatório, fiquei como adjunto da equipa sénior, abrangendo um projecto igualmente ligado á estatística e coligação com as camadas jovens, mas num plano de secretaria técnica, neste âmbito. Não estava muito convicto de sucesso no trabalho das escolinhas, devido aos problemas recentes com o futsal e com a possível incompatibilidade de horários. Acordei mas com algumas reservas da minha parte. Passado +- mês e meio, e depois dos resultados negativos (derrota 14-2 com o Benfica e derrotas com o Pelézinhos (4-1) e Brejos (4-2), falei novamente com o Norberto e demonstrando a minha frustração e inadaptação, quis sair. Este insistiu (felizmente para mim) para que desse o benefício da dúvida e se passado mais 1 mês não houvesse alterações no meu estado de espírito, conversaríamos para se chegar então a uma rápida conclusão. Assim foi, mas ao contrário, revelei eu alguma adaptação após esta fase, bem como a rapaziada, e começámos a apresentar melhorias. O relacionamento com os pais, começou a dar os primeiros passos e coisa lá foi andando. O meu espaço na equipa sénior, foi ficando reduzido, devido á não viabilidade do projecto aceite. Fiquei assim somente a trabalhar nas escolinhas. Creio que este foi um ponto de viragem. A motivação aumentou, a vontade de fazer mais e melhor também e fomos campeões distritais, no único encontro distrital com aspecto minimamente competitivo. Entretanto conseguiu-se a inscrição para o XIV Mundialito de Escolas de Formação. O coordenador, a Escola e os familiares, começaram a conjugar esforços para a possível participação no evento, sobre o qual sinceramente, duvidei seriamente que se conseguiria lá chegar. Após um esforço suplementar da parte dos pais e da demonstração da verdadeira força que estava ligada á equipa, foi possível essa participação e pasme-se o Amora FC, participou num evento, onde entravam o Benfica, Sporting, Porto, Barcelona, Valência, Real Madrid, Everton, Ajax, Boca Juniores, entre tantas outras! Até lá, foi a equipa crescendo, evoluindo cada vez mais e melhor, até que decidi com essa natural evolução, o re-estruturar de objectivos e consequentemente uma nova orientação competitiva, que na minha opinião, já não se conjugavam somente em preparar a equipa para os encontros distritais, que se desviou do carácter competitivo e passou a ter um conteúdo mais pedagógico e mais recreativo, embora ainda de algum cariz competitivo. Começámos a jogar com equipas de escalões etários superiores e fomos melhorando. Na semana anterior á nossa ida ao Mundialito, perdemos por 2-0 no Estádio da Luz, com a melhor equipa do Benfica  e empatámos com a equipa B, mas com a designação de Foot 21. Estávamos preparados para uma digna participação.

No Mundialito, tudo era novo e diferente. Muita gente nas bancadas, uma semana alojados num hotel com muita qualidade, mas meninos com 6, 7 e 8 anos, muito tempo longe dos pais e a pernoitarem longe dos mesmos. Teve influência no rendimento da equipa, embora outros factores estivessem ligados ao facto de termos ficado num honroso 13º lugar, entre 25 participantes. Dir-se-ia que foi bom, dir-se-ia que estivemos bem, mas eu sabia que poderíamos ter chegado mais longe. Intimamente sabia e sei, que éramos competitivos e treinávamos de forma correcta. Fomos eliminados nos Oitavos de Final, mas mesmo assim, um excelente experiência a muitos níveis. No regresso, a Escola sofreu alterações. Os pais reaproximaram-se da equipa, o ambiente começou a respirar novamente saúde e desportivamente a evolução (estranhamente para mim, continuava a evolução e nem houve estagnação) continuou! Decidimos começar a trabalhar com a possível equipa da próxima época e aqui é que as coisas dispararam. Bons valores andavam “perdidos” na Escolinha e com a consequente adaptação e novos métodos introduzidos, o crescimento na minha simples opinião, está a ser até assustador.

No Torneio do Seixal, perdemos 2-1 com a equipa competitiva do Benfica para a próxima época. Claramente estamos mais perto dos melhores, na minha opinião. Fomos superiores em boa parte do jogo e a ocupação de espaços e leitura do próprio jogo, está a ser cada vez mais assimilada. Alguns jogos amigáveis, com clara vantagem da nossa parte ante vinham, talvez, a cereja no topo do bolo, isto é, a nossa participação no 1º Amora Cup Júnior.

Um Torneio com bastante agrado nosso, muito elogiado pelos adversários e amigos participantes. Um Torneio com muito boa organização e uma entreajuda, humildade e amizade inigualáveis. Este espectacular grupo de familiares de toda a Escola, deu uma clara demonstração de capacidade, determinação e sacrifício e com espanto para as mentalidades fechadas do clube, fez-se um excelente Torneio.

Desportivamente, fomos campeões, com uma final muito disputada, mas claramente superior, contra a Academia do Sporting, por 2-0. Vamos de férias, mas desejo rapidamente que estas terminem. Quero continuar aqui, quero treinar com este excelente grupo de jogadores, que mesmo doentes, com mazelas, estão sempre presentes no treino. Aturam o seu treinador, com mau feitio por vezes, devido a querer sempre mais e melhor para o grupo. Pais e familiares, com muita paciência em ver um tipo a puxar e a gritar com os seus filhos. Parentes, mas pessoas de boa fé, com amor e carinho pelos rapazes! Bem ajam amigos, DEUS vos abençoe!

Nunca poderei ser suficientemente grato a todos, por me terem devolvido a paixão e a motivação de treinar. Por me mostrarem que até posso ter algum valor e alguma qualidade, por acreditarem em mim e por terem tido a calma por aceitarem-me como sou, ou seja, apenas mais um tipo que gosta de treinar! Muito obrigado então por tudo, meus amigos. Veremos então o que reserva o futuro. Desejo e espero que seja bom, todos em conjunto se possível.

Um abraço a todos, Pedro Sobral